Eslovênia é referência em vinhos laranjas

A tradição vinícola na região onde está localizada a Eslovênia começou há 2.500 anos e é, inclusive, na cidade eslovena Maribor que se encontra a videira mais antiga do mundo, com cerca de 500 anos. A técnica utilizada na produção dos vinhos laranjas também é ancestral, e é descrita no livro Vinoreja za Slovence do padre Matija Vertovec, publicado em 1844. No entanto, a popularização do vinho laranja é recente e é fruto da iniciativa do produtor ítalo-esloveno Joško Gravner. Conhecido como “o papa dos vinhos laranjas”, Gravner foi um dos pioneiros na comercialização da bebida. Relembrando o modo como o avô produzia vinho antes da guerra, ele passou a utilizar ânforas de terracota para a fermentação das uvas juntamente com a casca. 

A denominação, dada pelos americanos informalmente, é devido à tonalidade alaranjada ou âmbar que o vinho adquire após o longo período de maceração. Os vinhos laranjas são na verdade vinhos brancos vinificados em contato com as cascas; dando origem a uma bebida mais encorpada, com mais tanino e uma acidez um pouco mais elevada, e que harmoniza facilmente, inclusive com carnes e comidas mais pesadas. Os países que são referência em vinhos laranjas são a Geórgia, uma parte da Itália e a Eslovênia. 

Todas essas informações foram apresentadas no final de junho no Slobraz Talk – série de encontros online durante a pandemia – que teve como tema a “Revolução dos vinhos laranjas”. Matjaž Cokan, presidente da Câmara de Comércio Eslovênia-Brasil (Slobraz) e entusiasta de vinhos, e o produtor de vinhos Bruno Faccin, representante da quarta geração da Faccin Vinhos, deram uma “aula” não só sobre os vinhos laranjas, mas sobre vinhos em geral, por cerca de uma hora, para nossos associados.

A Faccin Vinhos, produtora de vinhos do Vale dos Vinhedos, no Rio Grande do Sul, desde 1936, teve início com o bisavô de Bruno, e atualmente produz vinhos, espumantes e sucos. Na lista dos vinhos laranjas que a Faccin oferece estão o Chardonnay, o Riesling e o Malvasia. Além de cultivarem uvas em vinhedos próprios, com produção sustentável sem aplicação de herbicidas, a Faccin utiliza como processo a vinificação natural, sem adição de sulfito, açúcar ou conservantes, sem filtragem e correção. Segundo Bruno, “só uva e muito amor”. 

Bruno falou que atualmente existem mais de 250 produtos registrados para a enologia criados para corrigir problemas na viticultura, ou seja, melhorar a qualidade da uva. Qualquer vinícola pode adicionar vários desses produtos químicos, o que é bastante comum no processo de fabricação dos vinhos convencionais. Bruno ainda explicou a diferença entre vinhos convencionais, naturais, orgânicos e biodinâmicos:

Vinhos naturais – seguem preceitos do cultivo orgânico, com pequena adição ou ausência de produtos químicos no processo de vinificação. Não há, porém, uma legislação que limita o uso desses produtos, no mundo. Na Europa, o permitido é 20 mg, mas de acordo com as regras criadas pelos próprios produtores.

Vinhos orgânicos – produzidos com uvas orgânicas, cujo plantio no Brasil ainda é baixo. 

Vinhos biodinâmicos – seguem preceitos mais rigorosos de sustentabilidade e recebem a certificação de um órgão regulador, como o alemão Demeter. 

Vinhos convencionais – adicionam vários produtos enológicos entre os 250 permitidos. É importante lembrar, porém, que a adição de sulfito, por exemplo, acima de 150 mg pode ser considerada prejudicial para o corpo humano. 

Matjaž ressaltou a importância da verificação do rótulo, para saber o que está se bebendo. Ele apresentou também a Movia, vinícola localizada na região fronteiriça entre a Eslovênia e a Itália, fundada em 1820. Por fim, Štefan Bogdan Barenboim Šalej, presidente emérito da Slobraz, falou sobre as dificuldades que os pequenos produtores enfrentam no Brasil e sobre o respeito que a cultura eslovena tem por esses produtores regionais ao entrarem em seus países, buscando não se tornarem concorrentes, mas parceiros no grande mercado de vinhos. 

Para conhecer mais, visite os sites: Movia e Faccin Vinhos

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