Visão, experiência e dicas de como Eslovênia e Brasil podem trabalhar juntos

A Enrich in Brazil – European Network of Research and Innovation Centres and Hubs, Brazil – é uma iniciativa de apoio da União Europeia (UE) com foco em ciência, tecnologia e inovação para reforçar as relações entre Brasil e Europa. De setembro a dezembro, a Enrich in Brazil programou uma série de mesas-redondas virtuais para discutir a situação da cooperação comercial bilateral entre o Brasil e algumas nações representativas da UE. No segundo encontro, realizado em 14/10, os países convidados foram a Eslovênia e Portugal. 

Para representar cada um dos países, Gorazd Renčelj, embaixador da Eslovênia no Brasil, e Francisco Costa, diretor da Aicep – Portuguese Trade & Investment Agency falaram sobre os cinco tópicos propostos: o status da cooperação comercial bilateral; projeções; desafios na cooperação; apoio financeiro e financiamento e, por fim, recomendações. Sob a mediação de Filipe Cassapo, presidente da Enrich in Brazil, o encontro virtual durou cerca de uma hora e meia, e teve também a participação de Matjaž Cokan, presidente da Camâra de Comércio Eslovênia-Brasil (Slobraz) e Sara Medina, membro do conselho da Sociedade Portuguesa de Inovação (SPI), que apresentaram cases de sucesso de empresas eslovenas e portuguesas, respectivamente, instaladas no Brasil. 

O embaixador da Eslovênia trouxe um panorama sobre a economia eslovena, que no ano passado exportou 40,5 bilhões de euros em bens e serviços para o mundo todo, o que corresponde a 84,4% do PIB do país, sendo que 60% está relacionado a serviços. No entanto, ele destacou a produção de bens, especialmente durante a pandemia, e salientou que a Eslovênia é o terceiro país mais industrializado da Europa. Dentre os principais parceiros comerciais, citou a Alemanha, a Áustria, a Itália e a França, e ressaltou que, apesar de a Eslovênia estar bem integrada à cadeia de fornecedores europeus, é essencial diversificar. “O Brasil já é o principal parceiro da América do Sul e tem muito potencial para se tornar um dos grandes parceiros comerciais da Eslovênia”, disse. No ano de 2018, houve um recorde no comércio bilateral entre os dois países, de 500 milhões de dólares, mencionou Gorazd. 

Apesar do excedente brasileiro nas exportações, o embaixador falou sobre o desequilíbrio quanto ao valor agregado dos bens comercializados. O Brasil exporta basicamente matérias-primas e bens primários, enquanto a Eslovênia exporta produtos de alto valor agregado. O presidente da Slobraz, durante sua fala, retomou o assunto e apresentou os números: o Brasil exportou 1,45 milhões de dólares per capita, principalmente commodities, como por exemplo, derivados de soja, enquanto a Eslovênia exportou 36,7 milhões de dólares em produtos farmacêuticos e medicamentos, em 2019.

Em relação aos desafios que as empresas eslovenas encontram para entrar no Brasil, Gorazd destacou as barreiras comerciais, a complexidade da área tributária e a própria dificuldade no ambiente de negócios. Para ele, as soluções para tais questões, como a reforma tributária, que não só simplificará a tributação, mas facilitará o ambiente de negócios, e a maior liberalização farão surgir novas oportunidades, assim como a ratificação do acordo do Mercosul e da União Europeia. 

Matjaž Cokan concordou sobre as dificuldades atribuídas ao comércio com o Brasil, não só pelo embaixador como pelos demais participantes. Ele apontou, porém, que elas são igualmente difíceis tanto para as empresas estrangeiras quanto para as empresas brasileiras. E acrescentou que dificuldades existem em qualquer mercado. 

Em sua apresentação, Cokan falou um pouco da Slobraz, cujas atividades tiveram início em 1991, com um grupo de empreendedores da comunidade eslovena em São Paulo. Ela foi fundada com o objetivo de fomentar e encorajar a cooperação bilateral e a troca comercial entre Brasil e Eslovênia e, atualmente, a Slobraz é o principal agente para cooperação econômica e comercial entre Eslovênia e Brasil, oferecendo apoio e soluções para companhias que planejam entrar no mercado. 

Cokan falou sobre empresas eslovenas com forte presença no mercado brasileiro atual: Gorenje; Tajfun; Bonpet; Dewesoft; Hyla; Biolinker; Movia e Puklavec.  Da mesma forma que o embaixador, o presidente da Slobraz mencionou a importância da ratificação do acordo entre UE e Mercosul para que se abram oportunidades. Acrescentou ainda o turismo, as companhias de tecnologia de informação e o porto de Koper como vantajosas para a relação comercial entre Eslovênia e Brasil.

Da parte de Portugal, Francisco Costa, da Aicep – um centro de negócios do governo para incentivar empresas estrangeiras a investir em Portugal, contribuir para o sucesso de companhias portuguesas fora do país e para a internacionalização de processos – falou sobre a relação histórica entre Brasil e Portugal e sobre a importância do Brasil como um de seus principais parceiros comerciais. Assim como o embaixador, Costa falou sobre as barreiras de importação e exportação e a falta de uma reforma tributária, acrescentando a burocracia, a infraestrutura e o risco de crédito como grandes desafios para os negócios com o Brasil. Sara Medina, da SPI – companhia privada focada em ciência, tecnologia e inovação que tem como finalidade promover oportunidades internacionais, além de parcerias estratégicas – destacou a presença da SPI no Brasil, com consultoria a empresas privadas, startups, universidades, organizações governamentais etc.

No final do evento, o embaixador disse que “se houver pressão em oportunidades, os negócios aparecerão”. E que o trabalho de todos dessa mesa-redonda é tentar ligar as pesquisas a grandes ideias e promover o desenvolvimento, as indústrias e os negócios no mundo todo. Cokan acrescentou que a União Europeia tem que ter uma estratégia clara com o Brasil. “A ratificação do acordo entre a UE e o Mercosul, a participação da Eurocâmaras, da qual a Slobraz faz parte e que tem grande representatividade nos negócios europeus, o planejamento e uma voz na comunidade em Brasília. Colocando tudo isso em um pacote, nós teremos boas oportunidades, mas um grande desafio. Se trabalharmos juntos, como um único bloco, uma força econômica maior, podemos fazer um trabalho melhor”, finalizou.

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